quarta-feira, 26 de março de 2014

amado

Amado, ah se eu tivesse amado..
Como seria bom se não tivesse repudiado,
Odiado; Emburrado,

Não ter desgostado,
Mágoas guardado,
Rancores criado,
Amores matado.

Preconceitos em vão,
Bondade perdida.

Pedras tacadas,
Na pessoa caída.

Poder amar,
Amar poder.

Simples substituição,
Diferença esculpida.

Que escolhâmos amar,
Que sejâmos capazes,

quarta-feira, 11 de setembro de 2013

last beautiful girl

Você sente falta de muitas coisas, de sensações que nunca sentiu, situações que nunca passou, pessoas que nunca conheceu, amores que nunca encontrou, vidas que há muito viveu.
Não? Eu sinto, uma nostalgia de épocas, sensações e lugares estranhos a mim, ao menos ao meu corpo. Minha alma anseia por voltar, relembrar, reviver.

A confusão é inevitável, vontades e necessidades em uma batalha campal constante, sem trégua. O suor escorre junto com o sangue de quem, confuso, está exposto.

Fluxos convergem e divergem, mais parecem um rio pelo qual sou levado. Quando reúno forças faço uma escolha, ou outra, mas parece que esse tal destino teima em cansar-me para não desviar do curso de seu rio, vezes calmo, vezes descontinuado, por pedras e quedas.

O magnetismo do coliseu de minha mente muitas vezes cega-me para as doçuras que essa vida e corpo me oferecem, afinal quem não gosta de um bom espetáculo.

Trata-se de uma questão temporal, ou você aproveita o presente ou virará um museu, relegado a ser enchido por pessoas de passagem, sem nenhuma intenção de permanecer ali por mais tempo do que o suficiente para admirar o que lhes convém. Lembre-se (o-me) porém que algumas pessoas desejamos que fiquem, e não adianta adicionar cafezinhos e lojas de souvenir para aumentar o interesse das pessoas, ninguém, eu repito, ninguém vive em um museu.

Feridas, sulcos profundos em sua existência tem um propósito, ensinar-lhe. Aprenda, compreenda e desapegue-se, de outra forma ao invés de construir algo produtivo como um castelo ou fortaleza com a pedra que em ti tacaram, estará construindo uma morada de uma pessoa e diversos transeuntes.

Perdoe, mesmo doendo,
Viva, independente de,
Ame por, apesar de.

terça-feira, 23 de abril de 2013

Gralham sem parar

Era uma noite daquelas, de dias que não eram nem de verão, nem de outono.
Pensamentos voavam, gralhando sem parar. Tentava, sem sucesso, prender alguma daquelas aves para poder começar a tentar entende-las. Atormentam-me a tanto tempo, imagens de chances desperdiçadas, passados indesejáveis, possibilidades de futuros sem muito futuro.
Nuvens de pensamento brigando entre si, agrupando-se e somando-se, formando tempestades estrondosas, incomparavelmente mais barulhentas do que um bando de aves selvagens. Filmes completos de momentos repudiados, isolados da realidade, jogados ao inconsciente, irracionalizados.
Filmes projetados em nossos pensamentos por períodos de introspecção - de auto-reflexão - em que busca-se um propósito, uma razão de ser. Um menino que cisma em cutucar uma colmeia de tempos em tempos, um dia deixa de ser menino, resta saber se os motivos para que ele nunca ficasse muito tempo longe das abelhas, os sentimentos e desejos, serão suficientes para ele querer aprimorar o seu contato, evoluir e tornar-se um apicultor.
Nem todas as nossas aves serão capturadas e estudadas, porém quanto mais tentarmos compreender pensamentos selvagens, mais conseguiremos. Sabendo que a consciência plena - a identificação completa de todos os pássaros selvagens - é algo que transcende a nossa existência mundana.
Transições estacionais necessárias para que o ciclo universal complete-se uma vez mais, em escala terrena. A necessidade de controle sobre ciclos é algo intuitivo, sabemos de sua importância sem racionalizar sobre o assunto. É algo indispensável para nos desenvolver, utilizando tais transições cíclicas em nosso favor.
Evoluímos e adquirimos tamanho conhecimento que conseguimos prever muitos eventos cíclicos, qual motivo justifica o fato de que a vida, ainda permanece-nos tão incompreendida?
Na esfera metafísica poderíamos comparar tal controle de ciclos às teorias reencarnacionistas. Podemos facilmente compreender os ciclos vitais de algo não-vivo - a alma, metafísica - na busca de um aprimoramento como um todo - um espírito - afinal esse parece-me ser o objetivo de tudo no universo físico, uma força metafísica buscando procurando adquirir conhecimento, buscando uma ordem em meio à todo o caos, "ordo ab chaos". Levo em consideração o conhecimento físico de que o universo tende a desordem, pergunto-me então, como explicar tamanha ordem existente? Não estou dizendo que somos a única ordem em meio à todo o caos, muito menos que somos a pura representação das forças metafísicas que nos alimentam, mas simplesmente descrevendo uma opinião sobre a nossa ínfima existência, que parece repetir-se de certo em certo tempo, cometendo, em suma, os mesmos erros, num looping infinito.
Erramos ao não nos importarmos com o outro e deixarmos sentimentos negativos florescerem, malditas ervas daninhas. São a representação pura da desordem infinita, que busca infiltrar-se em nossos lares, não só os físicos, impedir-nos de cooperarmos com o próximo. Não assimilamos que buscando o melhor à todos, todos teríamos o melhor. Falhamos ao perceber que o todo é muito maior que a simples soma das partes, quando todos ajudarem-se, ninguém ficará necessitado e melhoraremos como um todo, como espécie, não as custas de um semelhante.

domingo, 21 de abril de 2013

Aquele garoto...

Aquele garoto, pobre garoto, de dia e no quente,
Sorriso com dentes.
Brincadeiras saltitantes,
Alegres, dançantes.

Aquele garoto, pobre garoto, de noite e no frio,
Ao lado do rio, faminto e sozinho,
Imundo, dormindo.

Não tinha culpa, não tinha nada,
Era o que lhe diziam,
Sempre que possível.

Acordava esperando dormir,
Sonhava em poder sonhar,
Em não acordar.

Sono eterno,
Problemas zero,
Sonho infinito,
Amor resolvido.

Em sonho ninguém mente,
Dizia o pequenino esperançoso.

Sonhava com um colo amoroso,
Um abraço caloroso,
Porque não com um mundo honroso?

Uma mãe com quem conversar,
Alguém em quem pudesse confiar.
Alguém que dele cuidasse,
Amasse.

O menino cresceu trabalhou,
Muito se decepcionou,
Falsos amores amargou,
Sozinho continuou.

Quem conheceu o menino enquanto homem,
Nunca soube o que se perdeu
Em algum lugar da estrada,
Um sonhador a esperança esqueceu.

O colorido escureceu,
Entristeceu.

Não entendia mais como poderia
Sonhar com um mundo verdadeiro.

A humanidade em ciclos,
Brinca com o futuro,
Passado e presente.

Jogam ao ralo a vida,
Dos outros e, então, as suas.

Não compreendem a ligação,
Esquecem que somos todos um.
"Do pó viemos e ao pó voltaremos."