Era uma noite daquelas, de dias que não eram nem de verão, nem de outono.
Pensamentos voavam, gralhando sem parar. Tentava, sem sucesso, prender alguma daquelas aves para poder começar a tentar entende-las. Atormentam-me a tanto tempo, imagens de chances desperdiçadas, passados indesejáveis, possibilidades de futuros sem muito futuro.
Nuvens de pensamento brigando entre si, agrupando-se e somando-se, formando tempestades estrondosas, incomparavelmente mais barulhentas do que um bando de aves selvagens. Filmes completos de momentos repudiados, isolados da realidade, jogados ao inconsciente, irracionalizados.
Filmes projetados em nossos pensamentos por períodos de introspecção - de auto-reflexão - em que busca-se um propósito, uma razão de ser. Um menino que cisma em cutucar uma colmeia de tempos em tempos, um dia deixa de ser menino, resta saber se os motivos para que ele nunca ficasse muito tempo longe das abelhas, os sentimentos e desejos, serão suficientes para ele querer aprimorar o seu contato, evoluir e tornar-se um apicultor.
Nem todas as nossas aves serão capturadas e estudadas, porém quanto mais tentarmos compreender pensamentos selvagens, mais conseguiremos. Sabendo que a consciência plena - a identificação completa de todos os pássaros selvagens - é algo que transcende a nossa existência mundana.
Transições estacionais necessárias para que o ciclo universal complete-se uma vez mais, em escala terrena. A necessidade de controle sobre ciclos é algo intuitivo, sabemos de sua importância sem racionalizar sobre o assunto. É algo indispensável para nos desenvolver, utilizando tais transições cíclicas em nosso favor.
Evoluímos e adquirimos tamanho conhecimento que conseguimos prever muitos eventos cíclicos, qual motivo justifica o fato de que a vida, ainda permanece-nos tão incompreendida?
Na esfera metafísica poderíamos comparar tal controle de ciclos às teorias reencarnacionistas. Podemos facilmente compreender os ciclos vitais de algo não-vivo - a alma, metafísica - na busca de um aprimoramento como um todo - um espírito - afinal esse parece-me ser o objetivo de tudo no universo físico, uma força metafísica buscando procurando adquirir conhecimento, buscando uma ordem em meio à todo o caos, "ordo ab chaos". Levo em consideração o conhecimento físico de que o universo tende a desordem, pergunto-me então, como explicar tamanha ordem existente? Não estou dizendo que somos a única ordem em meio à todo o caos, muito menos que somos a pura representação das forças metafísicas que nos alimentam, mas simplesmente descrevendo uma opinião sobre a nossa ínfima existência, que parece repetir-se de certo em certo tempo, cometendo, em suma, os mesmos erros, num looping infinito.
Erramos ao não nos importarmos com o outro e deixarmos sentimentos negativos florescerem, malditas ervas daninhas. São a representação pura da desordem infinita, que busca infiltrar-se em nossos lares, não só os físicos, impedir-nos de cooperarmos com o próximo. Não assimilamos que buscando o melhor à todos, todos teríamos o melhor. Falhamos ao perceber que o todo é muito maior que a simples soma das partes, quando todos ajudarem-se, ninguém ficará necessitado e melhoraremos como um todo, como espécie, não as custas de um semelhante.
terça-feira, 23 de abril de 2013
domingo, 21 de abril de 2013
Aquele garoto...
Aquele garoto, pobre garoto, de dia e no quente,
Sorriso com dentes.
Brincadeiras saltitantes,
Alegres, dançantes.
Aquele garoto, pobre garoto, de noite e no frio,
Ao lado do rio, faminto e sozinho,
Imundo, dormindo.
Não tinha culpa, não tinha nada,
Era o que lhe diziam,
Sempre que possível.
Acordava esperando dormir,
Sonhava em poder sonhar,
Em não acordar.
Sono eterno,
Problemas zero,
Sonho infinito,
Amor resolvido.
Em sonho ninguém mente,
Dizia o pequenino esperançoso.
Sonhava com um colo amoroso,
Um abraço caloroso,
Porque não com um mundo honroso?
Uma mãe com quem conversar,
Alguém em quem pudesse confiar.
Alguém que dele cuidasse,
Amasse.
O menino cresceu trabalhou,
Muito se decepcionou,
Falsos amores amargou,
Sozinho continuou.
Quem conheceu o menino enquanto homem,
Nunca soube o que se perdeu
Em algum lugar da estrada,
Um sonhador a esperança esqueceu.
O colorido escureceu,
Entristeceu.
Não entendia mais como poderia
Sonhar com um mundo verdadeiro.
A humanidade em ciclos,
Brinca com o futuro,
Passado e presente.
Jogam ao ralo a vida,
Dos outros e, então, as suas.
Não compreendem a ligação,
Esquecem que somos todos um.
"Do pó viemos e ao pó voltaremos."
quarta-feira, 17 de abril de 2013
sociedade injustiçada
Estudantes e professores tem uma certa tendência a esbravejar verdades subjetivadas coletivamente, mas não tão coletivamente assim, sobre como a sociedade e seus valores, impostos a nós, manipulam o comportamento humano. Pergunto então, o que é a sociedade senão nós mesmos? Vejo a sociedade como um tipo de corpo, materializado pelo coletivo de diversas pessoas, onde tudo o que é pensado, sentido, valorizado, seja controlado pela predominância de pensamentos. O problema é que algumas partes do corpo tendem a se rebelar contra o mesmo, mais ou menos como quando o coração diz que sim e a cabeça diz que não. A sociedade entra em colapso, uma doença, ou simplesmente uma mutação, sócio-psicológica do tal corpo imaginário, percebemos facilmente este fenômeno com a constante mudança de valores, as brigas dos mais diversos grupos por um reconhecimento perante os valores sociais, para sentirem-se parte do todo.
Acredito que as mudanças que ocorrem nos valores, são puramente isso, não mexem no que realmente está errado, a sociedade em si. Tentarei não me expressar de forma errada, acredito que a criação da sociedade, a socialização do homem, foi o maior feito do ser humano. A nossa soberania foi garantida pela utilização dessa ferramenta, e é nela que continua ocorrendo uma forma complexa de seleção natural, ao meu ver mais lenta.
Porém a parte instruída da sociedade falha em entender que o problema do mecanismo não tem solução, a sociedade nunca deixará de ser rígida, dificilmente se dobrará com a mesma velocidade que o pensamento humano estimulado tem mutações, criamos algo em que somos sujeito e produto, ao mesmo tempo. Somos moldados por ela e aos poucos tentamos moldá-la, sem termos a liberdade de pensamento necessária para crescermos como espécie, além de tudo, piorando a situação, criamos mecanismos de comunicação que falham, lacunas de não entendimento são deixadas, gerando desavenças desnecessárias por uma pura falta de compreensão.
quarta-feira, 10 de abril de 2013
livro da vida
Versando sobre amor, paixão e ódio,
Nosso livro vai sendo escrito,
Por nós, por quem?
Medroso, toma teu futuro nas mãos,
Faz dele o que quiseres, puderes.
Tomamos e escrevemos, linha após linha,
Com mãos muitas vezes trêmulas,
Linhas, frases, páginas incertas,
Muitas vezes recheadas,
De pingos, lágrimas sinceras.
De pingos, lágrimas sinceras.
Histórias dignas de canções,
A serem eternizadas por gerações.
Cantadas com alegria à fogueira,
Numa noite gélida e cinzenta,
Colorindo tudo que sua vibração alcançar,
Alegrando os corações que conseguir tocar.
Inevitável amor, sofrido, querido.
Contra a corrente vai nadando,
Superando, ou tentando,
Os obstáculos de um mar de gente.
Luta por um presente de paz,
Por um futuro de luz,
Sempre a procurar à felicidade,
Sem saber que ela não está em nenhum lugar,
Que não em nós.
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