quarta-feira, 13 de março de 2013

temor, temmor, tem amor


Sentir é mais que pensar sobre,
Inútil tentar evitar.
Andando de mãos dadas com o medo,
O amar nos acolhe e sussura:
“Venha criança, não tema”.
Enganamo-nos, porém estamos certos,
Não tema enquanto ame.
Mas e quando se teme amar, sozinho?

segunda-feira, 4 de março de 2013

café servido

A manhã fria e cinzenta era a perfeita descrição de sua vida.
Seu despertador soou com um som tão agudo que chegou a acordar o vizinho de baixo, ele porém nem se mexeu. Já estava acordado, esperava o despertador havia horas, sem nem piscar.
Era um estado parecido com o sono, ele porém ficava de olhos abertos, estava consciente, ou quase isso.

Como uma máquina que acabara de ser ligada, seus pensamentos voltaram a fluir, enchendo cada canto de sua mente. Quando se levantou, sentiu a cabeça doer, talvez tivesse algo haver com o álcool circulando em seu sangue, mas ele duvidava muito. Ele poderia jurar que mesmo se não tivesse ingerido uma gota de álcool, a intensidade da dor de cabeça seria igual.

Aos poucos a realidade voltava a atingir o seu ser, todas as perdas dos últimos meses, as pessoas que ele nunca mais veria, as traições que descobriu, todos os ferimentos sendo perfurados, de novo e de novo pela consciência, o simples fato de saber, sentir, era uma tortura.

Algumas desgraças eram, de fato, resultado de seus atos. "Porque tão insistente e teimoso?" pensava agora, indignado. Outras entretanto, eram a cereja de um bolo feito pelo destino. Deuses conversando e rindo enquanto se embebedavam atrás de mesas fartas, ele conseguia quase ouvi-los, jurava.

Talvez estivesse louco, depois de tudo, não duvidava. Qualquer pessoa devia ter uma condição psicológica mais confiável que a dele, sabia. Ninguém teria sido capaz de suportar aquilo tudo e continuar vivendo normalmente, ele não sabia como ainda aguentava, porém quando se dava conta, a mesa estava servida com o café pronto. Toda sua alma gritava de dor enquanto seu corpo ia trabalhar, como se houvesse algum botão de piloto automático ligado.

Há apenas alguns meses seus pais eram casados e vivos, então como uma tempestade começaram a brigar e a bola de neve culminou na separação. Sua mãe então cometeu suicídio após entrar em uma depressão profunda, ele nada pôde fazer, ou pelo menos é o que dizia a si mesmo, sabendo que se ele acreditasse em qualquer outra coisa não conseguiria viver mais um dia sequer. Logo após a morte de sua mãe, seu pai descontrolou-se nas apostas e foi morto por uma dívida, a qual era relativamente pequena se comparada com o preço de uma vida.

Ele porém pouco se importou, talvez por culpá-lo pelo suicídio da sua mãe.

Algum tempo depois disso, quando finalmente conseguiu se distrair com algo, apaixonou-se. A menina era linda. Morena de olhos verdes, o tamanho certo para ele. O cupido parecia sorrir para ele, enganado. Era o destino travestido, com sua gargalhada de gelar a espinha, um som realmente digno de ser chamado de demoníaco.

Ela era o seu amor prometido, até ter de se mudar para longe. Ficou dias sem conseguir comer nada, talvez a situação tenha tornado ela mais importante do que ela realmente devesse ser. Hoje pensava assim, quando pensava.

A noite caiu e ele voltou para casa, molhado da chuva que agora caía devagar lá fora, exausto depois de um dia de trabalho corrido, resolveu comer o brigadeiro que havia feito, vendo um filme de desenhos antigos. Lembrava-lhe de sua infância, onde tudo parecia tão mais quente e colorido, e assim ele fechou os olhos, adormeceu e fugiu da realidade, da nossa realidade.

Foi morar nos sonhos até acordar de novo, uma trégua para a alma, para poder sobreviver um dia após o outro. Em seus sonhos ele era como o Peter Pan, nunca havia crescido e tudo continuava como nunca devia ter deixado de ser.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2013

controle de temperamento

"Uma vez havia um garoto que tinha um temperamento muito difícil. O pai desse garoto lhe deu um saco com pregos e disse que, toda vez que ele perdesse sua paciência, ele deveria martelar um prego atrás da cerca. No primeiro dia o garoto enfiou 37 pregos na cerca. Em algumas semanas, conforme ia aprendendo a controlar seu temperamento, o número de pregos martelados por dia foi reduzindo gradativamente. Ele descobriu que era mais fácil controlar seu temperamento do que martelar todos aqueles pregos na cerca... Finalmente, chegou o dia em que o garoto não perdeu a paciência. Então, ele contou ao seu pai e este sugeriu que ele retirasse um prego por dia cada vez que ele conseguisse controlar sua irritação. Finalmente chegou o dia em que o garoto havia retirado todos os pregos da cerca. Então, seu pai segurou sua mão e levou-o até a cerca e disse: "Você foi muito bem meu filho, mas olhe os buracos na cerca. A cerca jamais será a mesma." Quando você diz coisas com raiva, tais coisas deixam cicatrizes exatamente como estas. Você pode enfiar uma faca em um homem e retirar. Não vai importar quantas vezes você peça desculpa, o buraco vai estar lá do mesmo jeito. Um ferimento verbal é tão ruim quanto um físico."

quinta-feira, 21 de fevereiro de 2013

amor pra vida toda, toda vida

Sabe aquele casal de velhinhos que você cresceu imaginando? Se você é parecido comigo, você imaginou a vida inteira deles, desde o momento que se conheceram até o momento que um deles teve que partir. As vezes você criava uma história trágica, sabe? Já que nem sempre as coisas dão certo, ou pelo menos a vida me fez ver desse jeito.
Em outros momentos você imaginava um épico sem limites, o maior amor que já aconteceu na história da humanidade. Tudo dependia do seu humor e da sua vida, ou pelo menos da minha, as vezes imaginava-me como o protagonista, entretanto, não eram raros os momentos em que eu era simplesmente fruto desse amor. "Imaginação fértil, criança.", alguém mais velho me diria com certeza, se soubesse.

Então, eu quero simplesmente uma história, completamente minha, sem final escrito. Quero viver um amor maior do que qualquer um que passou pela minha vida, mas como também diria alguém mais velho se soubesse, "Querer não é poder.".

Eu acredito sim, em um amor pra vida toda, ou toda vida, como queira. Sei que ele existe e está só me esperando, não acredito que haja a necessidade de sair procurando, mas a vontade é grande. Espero que não demore, enquanto não chega sigo moldando minha vida do jeito que posso e quero, tentando tornar-me a melhor pessoa possível para a minha futura família.

Algo que muitos de minha idade considerariam uma besteira, mas considero a família o bem mais importante que cada um pode ter, não vejo outro sentido para a vida senão o de ter uma vida familiar bem sucedida.

Engraçado que tenho dois grandes males, talvez por isso dê tanta importância a coisas que alguns não dão. Acredito no amor, mas mais do que isso, nas pessoas também.